Pó branco não é tudo igual: salitre, mofo e tinta calcinada

Salitre é o nome de balcão para sais que estavam dissolvidos dentro da alvenaria. A água os carrega do tijolo, da argamassa ou do solo até a superfície; quando evapora, deixa o cristal do lado de fora.

  • Salitre: branco ou cinza-claro, granulado, áspero no dedo, concentrado onde a água passa (uma faixa, o contorno de uma mancha). Teste com uma gota d'água: o pó some, porque dissolveu, e volta ao secar.
  • Mofo: pontos ou véu escuro, esverdeado ou preto, às vezes um branco aveludado. Tem cheiro, prefere o canto sombreado e não some com água; esfregado, espalha.
  • Calcinação: pó fino de tinta velha que suja a mão na parede inteira exposta ao sol, uniforme, sem seguir caminho nenhum de água.

Há ainda o sal que cristaliza por baixo da pintura: a película segura a água, o cristal cresce atrás dela e empurra. Vem a bolha, depois a placa de tinta com pó branco colado no verso.

A altura e o lado da mancha apontam por onde a água entra

A geometria da mancha diz de onde vem a água, e isso decide quem resolve.

  • Faixa contínua a partir do piso, subindo mais ou menos uniforme ao longo da parede: é água do solo subindo pela alvenaria. A correção é barreira na base da parede, serviço de quem faz impermeabilização de fundação; nenhum produto aplicado na face pintada alcança esse ponto.
  • Mancha isolada, com contorno, em parede que divide com banheiro, cozinha ou área de serviço: suspeita de tubulação ou de rejunte de box. Encanador antes de pintor. Deixar o ambiente sem uso por alguns dias e ver se a mancha para de crescer já é um indício.
  • Terra, canteiro ou jardim encostado do outro lado: a água empurra do lado da terra. Drenagem e barreira se fazem daquele lado; o lado pintado só recebe o sal.
  • Mancha junto ao teto ou logo abaixo de janela: laje, cobertura, pingadeira ou vedação de esquadria. É infiltração, e pintura não fecha o caminho da água.
  • Reboco com poucas semanas: o sal pode ser do próprio cimento e da cal, saindo com a água do amassamento. É o único caso em que a origem tende a se esgotar sozinha.

Reboco novo ou parede antiga: o sal que para sozinho e o que não para

Em obra nova, a eflorescência costuma ser a primeira e última: a água de construção seca, o que tinha de sair saiu. O cuidado é não apressar massa e tinta antes do prazo de cura que a ficha técnica pede para reboco novo; pintar reboco úmido é colocar a película justamente na hora em que o sal mais migra.

Em parede antiga o raciocínio inverte. Se ela já foi pintada, ficou bem por um tempo e voltou a esbranquiçar, não há água de obra para culpar: alguma fonte está alimentando a parede agora. O teste é de paciência:

  1. Escove a seco até a parede ficar nua.
  2. Fotografe o trecho com a data e o rodapé no enquadramento.
  3. Não molhe, não passe massa, não pinte. Deixe a parede exposta.
  4. Compare depois de um período que inclua chuva de verdade, não só dias secos.

Esse último ponto pesa em Anápolis: de maio a setembro a parede quase não recebe água, e uma faixa escovada em julho pode ficar limpa até novembro sem que a origem tenha sido resolvida. Quem pintou no seco e viu o sal reaparecer na primeira chuva forte encontra o caminho de volta em salitre que volta depois da pintura.

Escova seca primeiro, água nunca: a limpeza que não devolve o sal

O sal sai com escova de cerdas duras, de nylon ou de aço, passada a seco. Recolha o pó com pá ou aspirador para não deixá-lo assentar nos trechos bons. O erro clássico é começar com balde e esponja: a água dissolve o cristal e o devolve ao reboco, de onde ele sai assim que a parede secar. Sobrou um véu fino? Pano apenas úmido, bem torcido, e secagem completa.

Raspe também a tinta que empolou e a massa fofa em volta da mancha, até encontrar borda que não cede à espátula. Se a escova, em vez de tirar só o sal, começa a tirar areia do reboco, a argamassa ali perdeu a liga: deixou de ser limpeza e virou serviço de refazer o trecho, com o pedreiro abrindo até base firme.

Três condições para abrir a lata, e o que fazer se faltar uma

A parede está pronta quando as três frases forem verdadeiras ao mesmo tempo:

  1. A origem foi tratada, ou ficou provado que era sal de obra nova e parou.
  2. A superfície escovada continuou limpa ao longo da janela de observação, chuva incluída.
  3. O reboco está firme sob a unha e a espátula, sem soltar areia.

Com as três atendidas: fundo indicado para base com histórico de sais e alcalinidade, conforme a ficha técnica, massa só onde o nivelamento pedir, e então o acabamento. O restante do preparo está em como preparar parede antes de pintar.

Se faltou uma das três, a decisão correta é esperar, e parede esperando não gasta tinta. Nenhum fundo, tinta emborrachada ou impermeabilizante aplicado pelo lado de dentro segura água que chega pelo solo, pela laje ou por um cano: o líquido continua entrando, o sal cristaliza atrás da película e a arranca. Se a dúvida vem antes disso, sal ou mofo, de que lado vem a água, três fotos ajudam: o pó de perto, a parede inteira até o piso e o outro lado dela, enviadas pelo contato antes de comprar qualquer coisa.

FAQ

Posso passar massa corrida na faixa branca para nivelar enquanto resolvo a origem?

Não. Massa é porosa e absorve a água que continua subindo; o sal cristaliza entre ela e o reboco e a solta em placa, levando junto a tinta que vier depois. Resolva a origem com a parede nua e só então nivele.

Salitre aparece em parede de gesso ou drywall?

Aparece, porque a placa absorve a água da alvenaria ou da laje por trás. A diferença é que o gesso molhado não se recupera: fica fofo, mancha, e o conserto é trocar o trecho da placa depois de resolver a água, não escovar e pintar.

O sal em si faz mal à saúde?

O depósito branco não é tóxico e não é mofo. O risco está na umidade que o trouxe: parede que solta sal é parede molhada, e parede molhada em canto sombreado é onde o mofo se instala em seguida.