Quatro coisas que o chão da garagem esconde

A tinta piso gruda no que estiver por cima do cimento. Se por cima houver uma película de lubrificante, ela gruda no lubrificante, e o lubrificante não gruda em nada. Por isso a inspeção é feita com o carro fora e o piso seco, olhando quatro pontos:

  • Mancha escura sob o motor e o câmbio. Óleo velho entra no concreto; a parte que se vê é só a superfície.
  • Faixa polida onde os pneus giram na manobra. Borracha compactada fecha o poro do cimento e a tinta não tem onde se ancorar.
  • Região que fica escura mesmo dias sem chuva. Garagem encostada em terreno, ou vaga sem laje por baixo, costuma ter umidade subindo pelo contrapiso. Tinta não seca isso e não segura essa água; o conserto é uma barreira contra umidade feita na base, trabalho de pedreiro, antes de qualquer pintura.
  • Pó ao riscar com uma chave. Cimento que farela com o risco solta a tinta junto com o farelo. Esse piso precisa ser firmado antes, e o produto certo depende do quanto ele esfarela: leve uma foto do risco ao balcão.

Desengraxar até a água parar de formar bolinha

Detergente de cozinha tira poeira; óleo impregnado pede desengraxante próprio para piso. Esfregue com vassoura de cerdas duras, deixe agir o tempo que o rótulo indicar, enxágue com bastante água e puxe com rodo; na mancha antiga, repita.

O teste de que pode parar é simples: jogue um copo d'água sobre o ponto já seco. Se ela espalha e escurece o cimento, o poro está aberto. Se fica em cima formando gotas, ainda há óleo, ou um selante antigo, e a tinta vai se comportar exatamente como essa água.

Na faixa polida dos pneus e em cimento queimado muito liso, passe lixa grossa até o brilho sumir e a superfície ficar fosca e áspera no dedo. Depois, aspire ou varra e termine com pano úmido: pó de lixa entre o cimento e a tinta funciona como talco, a película gruda no pó e não no piso. Máscara e óculos durante a lixa.

Deixe secar por completo, com o portão aberto e, se tiver, um ventilador apontado para o chão: garagem fechada segura umidade.

Contrapiso novo, cimento queimado ou tinta antiga: cada um começa de um lugar

Contrapiso recém-feito ainda está curando e liberando água. Pintar cedo prende essa água embaixo da película e a tinta estufa. O prazo de cura depende da espessura e do clima, e quem fez o piso sabe dizer; para conferir, deixe um tapete de borracha ou um pedaço de lona sobre o cimento por um dia inteiro. Se, ao levantar, o piso embaixo estiver mais escuro que o de fora, ainda está saindo água.

Cimento queimado liso e firme é o caso mais comum e o mais simples: limpeza, lixa para abrir o poro e tinta. Se o produto pede fundo nessa superfície, e quais opções existem para ela, está detalhado em tinta para piso cimentado.

Piso já pintado muda o roteiro: tinta antiga firme vira base, tinta antiga soltando vira problema, e a decisão entre raspar tudo ou aproveitar o que está bom tem guia próprio em como repintar piso de garagem sem perder aderência.

Nos três casos, meça comprimento e largura da garagem (o carro sai, não desconta nada) e converta os metros quadrados em latas na calculadora de tinta: acabar a tinta no meio da segunda demão deixa uma emenda que não some mais.

Do fundo para o portão: a ordem que evita pisar no molhado

Tinta piso, não tinta de parede. A de parede foi feita para ser olhada, não para receber um pneu virando em cima dela: risca, polui e solta. Se o plano inclui paredes e teto, eles vêm antes do piso, porque respingo de parede sobre piso pronto é retrabalho; o que usar neles está em tinta para garagem coberta.

Fita crepe na base da parede e na coluna. Recorte com pincel as bordas junto ao rodapé, ao redor do ralo e dos pés de estante. Depois o rolo com cabo extensor, em faixas da largura de um braço, sempre partindo da parede do fundo em direção ao portão, para sair pintando e nunca precisar atravessar o que já está molhado.

Camada fina e uniforme. Poça em ponto baixo do piso demora mais para secar, fica com brilho diferente e é o primeiro lugar que o pneu arranca. Não deixe uma faixa secar antes de encostar a próxima: emenda entre tinta seca e tinta fresca fica marcada, e a luz do portão, batendo de lado, mostra cada uma.

Segunda demão só depois do intervalo que a embalagem indica, aplicada no sentido cruzado da primeira, para fechar as falhas que o rolo deixou.

Liberar em três etapas: pé, caixa, carro

Seca ao toque não é curada. Tinta piso continua endurecendo por dentro depois de parecer seca por cima, e a garagem volta a funcionar em ordem crescente de peso: primeiro pisar, com sapato limpo; depois caixas e uma bicicleta encostada na parede; por último o carro, no prazo de liberação para tráfego da embalagem, sempre maior que o de pisar.

O carro é o último porque o pneu chega quente da rua. Borracha quente amolece tinta que ainda não curou por completo e, quando o carro sai, leva um pedaço no formato do pneu. Nas primeiras semanas, manobre com o carro em movimento e evite girar o volante parado sobre a pintura nova; um pedaço de papelão sob o motor nesse período pega o pingo de óleo e sai fácil.

Se meses depois aparecer descascamento, o lugar diz a causa: sob o motor é óleo que voltou a pingar; na faixa de manobra é pneu que entrou cedo ou girou parado; em mancha irregular sem relação com o carro é umidade vindo de baixo, e nesse caso o próximo passo é chamar o pedreiro, não abrir outra lata.

FAQ

Dá para pintar só a faixa onde os pneus passam?

Dá, mas a emenda entre a parte pintada e o cimento nu fica visível e acumula sujeira na borda. Se a ideia é economizar, pinte a vaga inteira e deixe o corredor lateral sem tinta, com uma divisa reta; fica intencional em vez de inacabado.

O piso tem ralo no meio da vaga. Pinto até a grelha?

Tire a grelha, pinte a borda do ralo com pincel e recoloque só depois de curada. Não deixe tinta escorrer para dentro do ralo nem encher o rebaixo: ali a camada fica grossa, demora para secar e sai com a primeira lavagem.

Moto e bicicleta podem entrar antes do carro?

Pesam menos, mas o cavalete e o pé de apoio concentram todo o peso em um ponto do tamanho de uma moeda e afundam na tinta não curada. Entram junto com o carro, e o cavalete recebe uma chapinha ou um pedaço de madeira por baixo nas primeiras semanas.